22 de agosto de 2006

o embaixador

Sexta à noite, sem nada que fazer depois de jantar, vamos ao terraço comunitário para desopilar. Alguém aparece e diz: "Hey! Há uma festa selvática na casa do embaixador X! Vamos?". Decidimos envergar as nossas melhores fardas e lá nos metemos num táxi em direcção ao Upper East. Eu espero nada menos que serpentes e anões, mas a festa é uma desilusão. O embaixador lá está, solteiro e com ar de garanhão a bater suavemente um coro a uma trintona loura. O resto era pouco pessoal diplomático, muitos velhos e alguns jovens a querer parecer velhos também. Mas havia um DJ, e ficou até às tantas a pôr música para nós; uma dúzia de marmelos (e marmelas) a dançar no 38º andar com vista para tudo e mais alguma coisa em NY. Numa mesa, bebidas à discrição; noutra, sushi e bolinhos de amêndoa. Às tantas, o embaixador desaparece (e, estranhamente, também a trintona). A casa fica por nossa conta, enquanto emborcamos mais uns uísques; durante uns momentos de breve lucidez reflicto no desperdício que é gastar milhões de dólares numa penthouse duplex com umas janelas tão foleiras e uma decoração tão merdosa (mármores e rodapés meio a armar ao clássico minimalista mas sem graça nenhuma). Mas o espaço é grande e de certeza que cabe lá muita gente noutras festanças...
No fim, algumas miúdas mais sabidonas metem umas garrafitas de Absolut debaixo do braço e saímos porta fora, em grande. O embaixador, esse nunca mais ninguém o vê.

1 comentário:

Anónimo disse...

mais uns meses e podes escrever argumentos para hollywood!
boa?
;)